Santuário Frei Galvão

Rádio Frei Galvão

Dia de Finados 2020

Por muito tempo a morte era uma espécie de cerimônia pública e muito bem organizada com todos os seus protocolos, onde o moribundo morria não sozinho, mas cercado pelos seus parentes e rodeado pelas crianças da casa, de tal modo que o quarto se transformava num lugar público. Os ritos de morte eram feitos e aceitos com simplicidade e de forma cerimonial, sem o caráter dramático, pois a morte era familiar e próxima. Talvez essa forma de encarar a morte de tempos atrás era muito mais humanizante e confortadora, pois dava tempo, muitas vezes, de acontecer  as  despedidas  e as reconciliações . Tudo isso  facilitava  a partida de quem ia e a dor da aceitação de quem ficava.

Hoje é   tudo diferente.  Muitas vezes já não se morre mais em casa, nem rodeado pelos parentes, mas sozinho num hospital em meio a gente estranha. Falar de morte para crianças nem pensar, parece uma aberração. E assim vai-se formando uma geração de adultos que têm medo e que quase não têm estrutura psicológica de enfrentar o inevitável: a perda de quem tanto amamos.    A morte virou um tabu e há um esforço enorme de querer negá-la. Parece que se tornou um objeto de interdição.  A morte deixa de ser um mistério a ser vivido e contemplado,  porque expõe a nossa finitude,  e passa a ser um problema.

Embora seja considerada um problema, a morte será sempre um mistério, cercado de respeito. O fato é:  ser cristão muda alguma coisa no modo de considerar e enfrentar a morte? Sim, claro, que sim.  Essa resposta se encontra na profundeza de nossa fé, pois para o cristão a morte não é o resultado de uma luta trágica que se perdeu,  mas,   essencialmente, é uma passagem para a vida eterna. Como se diz no prefácio da missa no dia de Finados: “e aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade nos consola”, ou seja, essas palavras geram em nós a esperança feliz da ressurreição!

A vida terrena é uma preparação para a vida do céu e nela estamos como uma criança no seio materno. É   um período de lutas, mas ao morrer, estaremos diante Daquele que a nossa alma sempre suspira de encontrar:  Deus  - que nos espera de braços abertos e com amor de Pai que recebe o filho que peregrinava e, finalmente, voltou à casa paterna.

O Dia de Finados não deve ser um dia somente de tristeza e sofrimento, mas sim,   de  alegria em saber que haveremos   de nos encontrar e mais, que ressuscitaremos, pois, a morte e o pecado foram vencidos por Jesus na cruz e é por meio Dele que participamos, também, dessa graça. O dia de Finados é uma oportunidade de lembrar, com carinho, dos  nossos entes queridos, rezar por eles e lembrar que eles, também, rezam por nós que ainda continuamos a nossa peregrinação aqui na terra.  É um dia para recordarmos nossa opção de lutar pela vida, desde a concepção até o seu término natural, e fazer valer a pena vivê-la.   É  celebrar   com fé o mistério pascal, na firme esperança de que passaremos  com Ele através da morte à vida do céu,  junto com os santos eleitos .     

Oremos pelas pessoas que fazem parte da nossa Família Missionaria de Frei Galvão que já voltaram para a Casa do Pai,  para  que lá do céu intercedam por nós que  ainda estamos na caminhada!  

No Santuário Frei Galvão haverá missa às 15h e 19h no dia 02 de novembro.

Pe. José Carlos de Melo                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Reitor