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Confiar, porque Ele está conosco: Emanuel, Deus na Nossa História

Notícias do Santuário

19.12.2025 - 00:00:00 | 6 minutos

Confiar, porque Ele está conosco: Emanuel, Deus na Nossa História

Chegamos ao quarto domingo deste tempo de preparação como quem já arrumou a casa quase inteira. As primeiras semanas nos chamaram à vigilância, à conversão e à alegria. Agora, a liturgia nos coloca diante de algo mais exigente e, assim, muda o tom: sai o “prepare-se” e entra o “confie”. Não uma confiança ingênua, mas aquela que nasce quando a razão não dá conta de tudo e, ainda assim, o coração decide dizer “sim”. Não é mais sobre fazer. É sobre acolher.

A liturgia deste domingo nos apresenta uma fé vivida no cotidiano, em meio a dúvidas reais, medos humanos e escolhas difíceis. A Palavra de Deus proclamada não romantiza a fé. Ela a humaniza.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia: “A virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14)”. Emanuel significa Deus conosco, não um Deus distante, mas um Deus que entra na história concreta, na casa simples, na vida comum. Este tempo litúrgico não fala de um Pai que resolve tudo de fora, mas de um Senhor que caminha junto. Só que hoje a pergunta é outra: conosco onde?

Essa mensagem dialoga diretamente com o nosso tempo. Vivemos hiperconectados, informados, acelerados, mas internamente inseguros. Cada vez menos envolvidos. Rolamos telas, evitamos conversas difíceis, terceirizamos o cuidado. O quarto domingo desta caminhada nos lembra que Deus não se manifesta quando tudo está resolvido, mas quando aprendemos a sustentar a incerteza sem nos fechar. Este tempo nos provoca a desacelerar, silenciar e retomar o vínculo com o outro e com Deus.

O Salmo reforça esse movimento interior: “Que se abram as portas eternas, para que entre o Rei da glória” (Sl 23). Abrir as portas não é apenas um gesto simbólico. É decisão. É permitir que Deus entre mesmo quando a casa não está arrumada, mesmo quando o coração está confuso. Ainda reforça essa ideia ao perguntar: “Quem poderá subir ao monte do Senhor? Quem poderá permanecer no seu santuário?” (Sl 23/24). A resposta não fala de perfeição, mas de disposição interior: mãos limpas, coração sincero. Não é sobre performance religiosa. É sobre verdade.

Preparar a casa para Jesus não é só montar presépio ou acender vela. É revisar prioridades. É reconhecer onde o coração endureceu, onde a escuta diminuiu, onde a pressa substituiu o encontro. É sair do automático. É perguntar: “– Onde eu tenho me fechado?”. “– De quem eu tenho passado direto?”. “– Em que lugar da minha vida Deus ainda não entrou porque eu não confio o suficiente?”.

Do ponto de vista humano e psicológico, a confiança é uma experiência profunda e exigente. Ela exige abertura, entrega e risco. Maria e José nos ensinam que confiar em Deus também fortalece a confiança em si mesmo, na própria capacidade de atravessar o desconhecido.

No Evangelho segundo Mateus, vemos José diante de uma situação que foge completamente à lógica: “José, seu esposo, sendo justo, não quis denunciá-la” (Mt 1,19). José hesita, pensa, sofre. E é justamente nesse espaço de incerteza que Deus se manifesta: “José, filho de Davi, não tenhas medo” (Mt 1,20).

Maria, no Evangelho de Lucas, também não responde de forma automática. Ela pergunta, questiona, tenta compreender: “Como acontecerá isso?” (Lc 1,34).

A fé cristã nunca negou a dúvida. Pelo contrário: a dúvida faz parte do caminho da confiança verdadeira. Confiar não é entender tudo, é escolher caminhar mesmo sem todas as respostas. Este tempo de espera também nos educa emocionalmente: ensina a lidar com a ansiedade, com o medo do futuro e com a necessidade de controle. Deus não nasce em corações fechados, mas em corações disponíveis.

Passado o quarto domingo, não entramos no Natal como quem muda de assunto. Entramos como quem colhe. Se este foi caminho de espera foi percurso, o Natal é permanência. Cristo não vem só para ser celebrado. Ele vem para ficar. Natal é isso: Deus que se faz pequeno para caber no coração humano. A espera se transforma em acolhida. Não celebramos apenas um nascimento histórico, mas a certeza de que Deus continua nascendo hoje, em cada gesto de amor, em cada escolha de confiança.

Se a gente puxa esse fio para espiritualidade franciscana, tudo se encaixa. Essa espiritualidade tão presente na vida de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, ecoa profundamente essa mensagem. Frei Galvão viveu a simplicidade, a obediência confiante. Não transformava a fé em discurso ideológico, mas em vida. Ele acolhia, escutava, cuidava, caminhava com as pessoas. Sua confiança em Deus se traduzia em serviço concreto, especialmente aos mais frágeis. Sua vida foi marcada por uma fé prática, encarnada no cuidado com os doentes, na escuta, na humildade e na caridade. Assim como Maria e José, São Frei Galvão confiou sem exigir garantias, serviu sem buscar reconhecimento.

Isso diz muito sobre o nosso tempo. Em tempos de polarização política, debates agressivos e cancelamentos, o quarto domingo do Advento lembra que o cristianismo nasce da fraternidade, não da disputa. Essa postura ilumina os debates contemporâneos da Igreja: inclusão, justiça social, cuidado com os pobres, diálogo com o mundo. Tudo isso é consequência direta do Evangelho vivido com coerência.

Como viver isso hoje, na prática? O quarto domingo do Advento não pede heroísmos, pede presença. Algumas atitudes possíveis:

– Rever posicionamentos rígidos e se perguntar: “– Isso gera vida ou afastamento?”.
– Preparar o Natal menos como evento e mais como encontro.
– Não é sobre fazer tudo. É sobre fazer algo com sentido.
– Participar mais ativamente da comunidade.
– Oferecer tempo em uma pastoral ou serviço de acolhida.
– Usar a tecnologia como ponte, não como fuga.
– Escutar sem julgar, discordar sem desumanizar.

Por fim, o Advento inteiro nos conduziu por um caminho claro: esperança, conversão, alegria e confiança. No Quarto Domingo, tudo converge para essa verdade simples e exigente: confiar em Deus mesmo quando não entendemos tudo, como quem sabe que Deus chega exatamente aonde a gente não tem controle. Assim como Maria, como José e Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, que estes nos ensinem a abrir a porta, preparar a casa e acolher o Cristo que chega. Você só precisa confiar e abrir espaço, porque Deus já está à porta.

Fonte Taíse Marques
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