Nos passos de Frei Galvão: Igreja Matriz de Santo Antônio
Conheça um pouco mais sobre o berço e altar do primeiro santo brasileiro.
Hagiografia & Espiritualidade
16.09.2025 - 17:40:00 | 5 minutos

A Igreja Matriz de Santo Antônio guarda a história de fé da família de Frei Galvão. Localizada no centro de Guaratinguetá, próxima à casa onde ele viveu, foi o cenário da vivência religiosa da família do primeiro santo brasileiro. Foi neste templo que Frei Galvão recebeu o sacramento do batismo e, anos depois, celebrou uma de suas primeiras missas após ser ordenado sacerdote no Rio de Janeiro. Em suas visitas à cidade natal, o santo certamente presidiu muitas outras celebrações nesse mesmo local, que hoje é um marco importante da fé e da história religiosa da região.
Para a Igreja, é clara a compreensão de que toda vocação nasce de uma realidade eclesial, ou seja, de uma participação ativa na vida da comunidade local — seja ela matrimonial, religiosa ou sacerdotal. Existe uma estreita e necessária relação entre a vida sacramental e sua origem. A vida comunitária não apenas gera discípulos e discípulas de Cristo, como também os sustenta na caminhada. A comunidade ou paróquia é o ambiente mais próximo do fiel e é ela que garante sua unidade com todos os membros do Corpo Místico de Cristo, cuja cabeça é o próprio Cristo.
Os pais de Frei Galvão, Antônio Galvão e Isabel Leite, ao se mudarem de Pindamonhangaba para Guaratinguetá (distante cerca de 40 km), escolheram morar no centro da cidade, vizinhos à Igreja dedicada ao conterrâneo e xará, Santo Antônio de Lisboa. A mudança ocorreu entre a gravidez e o nascimento de Frei Galvão, que veio ao mundo já em Guaratinguetá, no ano de 1739.
A Igreja de Santo Antônio já foi a Catedral da Arquidiocese de Aparecida. É considerada um monumento histórico do município, tombado pela Lei nº 177, de 26 de junho de 1952, e simbolicamente é reconhecida como marco inicial da cidade. Sua construção foi iniciada em 1630. Sua localização era estratégica, situada entre o caminho do ouro e o litoral.
A igreja passou por diversas transformações ao longo dos anos, afastando-se de sua forma original. Em 1817, o arquiteto austríaco Thomas Ender realizou um desenho que mais tarde serviria de inspiração para reformas ocorridas entre 1773 e 1780. O estilo arquitetônico predominante é o barroco, e sua configuração atual foi assumida após modificações realizadas entre 1822 e 1847. Na torre direita, construída em 1817, foi instalado um relógio em 1899, e os sinos datam de 1856. A torre esquerda foi concluída em 1892. O interior da igreja também segue o estilo barroco, embora se percebam traços do rococó (Fonte: site da Prefeitura de Guaratinguetá).
Além disso, a Matriz foi o local onde Frei Galvão celebrou sua primeira missa como presbítero, em 1762. O tombamento da igreja como patrimônio histórico se deu pela Lei Municipal nº 177, de 26 de junho de 1952, que a declara “obra de valor histórico como monumento da fundação de Guaratinguetá”.
Foi nesta igreja que a família Galvão viveu profundamente a fé. Os filhos foram educados na escola do Mestre Jesus Cristo. De Frei Galvão até seu décimo irmão, todos foram batizados na Matriz de Santo Antônio. Os pais, piedosos e devotos, membros da Ordem Terceira do Carmo e da Ordem Terceira de São Francisco, viveram intensamente a fé, a esperança e, sobretudo, a caridade, sempre alimentados pela comunidade local.
Foi nesse mesmo templo que Frei Galvão, à semelhança de outro Francisco de Assis, ouviu a voz de Cristo no Evangelho e decidiu deixar tudo para viver como um penitente — homem da caridade e da paz, irmão dos pobres e filho da Virgem Maria.
Frei Galvão tinha apenas 23 anos quando foi ordenado presbítero na cidade do Rio de Janeiro. Em 1762, como neo-presbítero, celebrou suas primícias em Guaratinguetá, na Matriz de Santo Antônio. É bem provável que, em suas andanças pelo Vale do Paraíba, tenha feito da Matriz local de parada para celebrar missas e administrar outros sacramentos.
Como ensina o Documento de Aparecida: “Pelo batismo, os(as) leigos(as) são incorporados a Cristo e, com isso, formam o povo de Deus e participam das funções de Jesus: sacerdote, profeta e rei” (cf. Documento de Aparecida, 2009).
Toda vocação nasce e é discernida a partir de uma comunidade real de seguidores de Jesus Cristo. Que todas as comunidades se responsabilizem por colaborar nesse discernimento, assim como foi a Igreja Matriz de Santo Antônio, na cidade do primeiro santo brasileiro. Que as comunidades locais sejam lugar de escuta e resposta ao chamado: “Senhor, que queres que eu faça?”
Que nasçam muitas vocações — sejam elas matrimoniais, religiosas ou sacerdotais — e que, nelas, os vocacionados sejam sustentados para a honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, em favor do povo e do Reino de Deus.
Fonte Frei Leandro Costa
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