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Saúde Mental no Advento: Quando a Espera Também Cura

Neste início do Advento, tempo de esperança e silêncio interior, muitas pessoas também enfrentam a saudade e a dor de ausências que se tornam mais intensas nesta época. A celebração que fala de luz, encontro e família pode transformar-se em um espelho emocional que revela angústias profundas. Este texto convida a compreender esses sentimentos, acolhê-los com fé e encontrar no Advento um caminho de cuidado interior, significado e renovação.

Notícias do Santuário

28.11.2025 - 00:00:00 | 6 minutos

Saúde Mental no Advento: Quando a Espera Também Cura

Nessa primeira semana do Advento, nos preparamos para a vinda de Cristo. É um tempo de espera, esperança e silêncio interior antes do Natal. Mas essa espera não é vazia. Embora possa ser muito alegre ao reunir-se com pessoas queridas, para alguns pode ser um período difícil. Geralmente, o final do ano é marcado por expectativas, desejos e promessas. Porém, quando sentimos falta de alguém, esse tempo que deveria ser esperançoso pode se tornar ainda mais carregado de saudade.

É justamente aqui que entra a angústia. Quando não podemos estar com alguém importante nessa época, o Advento deixa de ser apenas um período litúrgico e se torna uma espécie de espelho emocional. A saudade aparece mais forte porque é um tempo de família, um tempo simbólico, um tempo que fala de encontros — e você sente profundamente a dor do não-encontro.

Pensando no Advento como um recurso de enfrentamento, ele nos lembra três coisas essenciais:
  1. - Estamos a caminho de algo maior;
  2. - A luz virá, mesmo que o mundo pareça escuro;
  3. - O coração humano é marcado por esperas — algumas bonitas, outras dolorosas.

Na psicologia, especialmente nas abordagens sobre luto e emoções, compreende-se que: datas significativas têm o poder de reacender memórias; a falta é sentida com mais força quando o ambiente inteiro sugere união; e o sofrimento não indica fraqueza, mas vínculo.

É comum sentir tristeza mais profunda, sensação de vazio, choro fácil, irritabilidade, nostalgia, necessidade de isolamento ou, ao contrário, maior necessidade de contato. A psicologia entende isso como uma reação normal à perda, seja ela simbólica ou real. Quando chega uma data simbólica, o psiquismo se confronta com o real da ausência.

Durante o Advento, você vê o mundo se voltar para o amor, o encontro e a proximidade — e isso ativa em você o desejo impossível: estar com quem não está. Por isso, a angústia não é um erro: ela testemunha que houve amor, sentido e presença. E agora esse espaço dói.

O Advento é uma espera por uma luz que nasce no escuro. É um tempo em que a dor pode ser apresentada a Deus como parte da condição humana. A angústia é um sinal: algo falta, mas também aponta para o que é essencial. A ausência revela onde o amor habitava.

Assim, podemos entender que o luto é o processo de reorganizar o lugar desse amor em você, quando ele já não pode estar na forma antiga. O Natal é nascimento — e, dentro de todo nascimento, há algo que “morre”: velhas formas, expectativas, fases da vida. Quando você junta tudo, o Advento se torna uma metáfora poderosa: você espera pela chegada do novo, enquanto carrega a ausência do antigo que não volta.

Talvez você se pergunte: “Então como lidar com esse sentimento?” Aqui vão algumas maneiras de transformar esse momento em algo mais acolhido:

- Reconheça o sentimento;
- Entenda que a angústia não é sinal de fraqueza espiritual, mas de amor;
- Permita que a saudade entre no Advento.

Esse período de silêncio, vigília e interioridade pode ser um espaço seguro para viver a dor sem negar. Faça um pequeno ritual: uma oração, uma vela acesa, uma foto perto da árvore, uma carta escrita, mas não enviada. Rituais ajudam a psique a lidar com aquilo que não pode ser resolvido apenas pela ação. Traga essa pessoa para o Natal de outra forma: simbolicamente, espiritualmente, afetivamente.

Lembre-se: a luz do Natal fala sobre renascer, não sobre  “estar feliz”. Você pode viver o Natal com saudade e isso não invalida nada.

O ponto de encontro é este: você sente, mas também acredita. Você sofre, mas também espera. Você tem feridas internas, mas também uma visão espiritual sobre a vida. A psicologia diz: “Vamos olhar para o que dói, sem medo, para compreender.” E São Frei Galvão nos mostra que podemos confiar em Cristo e nos Santos que, em vida, nos deram exemplos diante do sofrimento. Sua oração termina dizendo: “Na minha aflição, dai-me consolação, meu Santo Frei Galvão.”

O ser humano é marcado por um vazio que não se apaga, mas que pode ser transformado em busca, sentido, amor, espiritualidade e criação. Essa saudade pode ser oferecida a Deus, que conhece o teu coração. Viktor Frankl, psiquiatra sobrevivente dos campos de concentração, dizia: “Quem tem um porquê, suporta quase qualquer coisa.” Assim, é usar a fé para se acolher e não se cobrar. Podemos pedir: “Deus, acompanha-me na minha fragilidade.”; “A santidade é um caminho, não um padrão.”; “Jesus chorou, eu também posso.”

Quando alguém ora, participa de um ritual ou se recolhe em silêncio, não expressa apenas devoção — ativa, mesmo sem perceber, processos naturais de regulação emocional. Na espiritualidade católica, períodos como o Advento ou o Natal não são apenas datas: são experiências profundas de sentido.

Transformar a fé em ferramenta de saúde mental não significa esperar milagres para tudo, mas usar o sagrado como suporte emocional: uma oração que acalma, um gesto ritual que ancora, uma leitura espiritual que oferece sentido à dor. Quando a fé é vivida de forma madura — sem culpas, sem rigidez, sem a ilusão de perfeição — torna-se um aliado poderoso na cura e no fortalecimento interior. A tradição cristã nos ensina que existe ali muito mais do que um preparo religioso para o Natal: há um convite psicológico profundo para esperar, silenciar e reorganizar a vida interior.

A primeira semana do Advento, dedicada à esperança e à luz, marca o início desse movimento. A vela acesa não representa apenas a chegada de Cristo; simboliza a força que nasce mesmo quando tudo parece escuro. Quando alguém acende a primeira vela do Advento, está dizendo para si mesmo: “Eu ainda acredito”, “Eu continuo”, “Há um caminho.” É um gesto interno poderoso, capaz de diminuir a ansiedade e oferecer conforto psicológico.

O Advento também fala de espera — e isso dialoga profundamente com o psiquismo. Vivemos em um mundo que exige pressa, respostas rápidas e soluções imediatas, mas a alma humana não funciona assim. A visão capitalista costuma reduzir o Natal à alegria, esquecendo que, para muitas pessoas, essa época pode ser difícil diante da saudade ou da distância de pessoas queridas.
A espera organizada que o Advento propõe dá espaço para sentir, elaborar, refletir e respirar. Nessa primeira semana, que inaugura o ano litúrgico, lembramos que a luz vem pouco a pouco. No fim, a primeira vela acesa não ilumina apenas uma coroa: ela ilumina a alma rumo ao renascimento. E essa luz é ainda mais necessária para quem enfrenta o luto no Natal. As festas carregam lembranças, rituais familiares e ausências que parecem brilhar mais forte do que as próprias luzes da árvore. A dor, nessa época, não é sinal de falta de fé nem de fraqueza; é parte do amor.

E, nesse gesto simples — acender uma luz, esperar por outra, confiar que o renascimento vem — o coração encontra sustento até a promessa de renovação que o Natal traz.

Fonte Taíse Marques
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